A avaliação de conjuntura política e econômica do Brasil na atualidade e as perspectivas para o futuro mais próximo foram os principais assuntos debatidos no começo da tarde desta segunda-feira, 04/12, na LXX edição da Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Representantes Estaduais (CNRE) do Sindireceita, que acontece até o dia 7 de dezembro, em Brasília/DF. As análises ficaram a cargo do cientista político, Alberto Almeida, doutor em Ciências Sociais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ).

Os conselheiros tiveram oportunidade de fazer perguntas e discutir as temáticas abordadas com o palestrante. Almeida abordou os principais desafios que os servidores públicos terão pela frente no cenário político. Ele afirmou que a reforma da Previdência será realizada. “A dúvida é quando e quem realizará essa reforma. O enfraquecimento deste governo nos leva a crer que reformas mais densas serão feitas a partir de 2019, porque 2018 é ano eleitoral e tanto as Casas legislativas (Câmara dos Deputados e Senado Federal) quanto os membros do Executivo federal voltam suas atenções para as eleições. Creio que o melhor momento político para uma reforma desta dimensão é começo de 2019, quando os eleitos tomam medidas impopulares, fazem cortes e ajustes ficais”, avaliou.

Por causa da centralização da crise fiscal na questão previdenciária, o cientista político alertou os Analistas-Tributários presentes na reunião da necessidade de apresentar ao governo e à mídia alternativas à proposta de reforma previdenciária que tramita na Câmara dos Deputados. “Quando falo alternativas me refiro a propostas executáveis e que coadunam com agenda política. Cobrir o déficit previdenciário com recursos pagos aos juros da dívida, por exemplo, não está na agenda política, não é interesse. Ou seja, é necessário pensar em propostas dentro da realidade política. É preciso ter propostas para negociar. O funcionário público tem que ser mais proativo e menos reativo e para isso precisa de propostas”, observou.

Almeida alertou os ATRFBs que os ataques aos servidores públicos não é um fenômeno apenas no Brasil. “É uma tendência mundial, no sentido de comparar salários, tarefas desempenhadas e benefícios. E essa equiparação ocorre com governos de esquerda e direita e creio que continuará este debate no Brasil, independente do partido que for eleito para o Executivo federal nas próximas eleições” alertou. O palestrante sugeriu unidade dos servidores para trabalhar esta questão. “Os servidores públicos representam 12% da população economicamente ativa e possuem grande capacidade de mobilização. É necessário usar essa capacidade”, aconselhou.

O presidente do Sindireceita, Geraldo Seixas, avaliou positivamente a palestra do cientista político. “Ampliamos nossos horizontes, tivemos mais elementos para pensar nos rumos que precisamos tomar para tentar assegurar nossos direitos constitucionalmente garantidos.  É importante fazer essa análise além do âmbito  da Diretoria Executiva Nacional e além do servidor público. Destaco a necessidade de mobilização da qual falou o palestrante, algo que já estamos fazendo em articulação com outros sindicatos de servidores públicos”, destacou.

O cientista político Alberto Almeida é doutor em Ciências Sociais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). Desenvolveu ao longo dos anos uma metodologia de análise utilizando dados antecedentes e qualitativos que o diferencia no mercado quando se trata de prever tendências.
Foi colunista do jornal Valor Econômico por nove anos e atualmente é colunista do Poder 360. É autor do best-seller “A Cabeça do Brasileiro” de “A Cabeça do Eleitor” e de diversos livros que abordam os valores e comportamentos dos brasileiros