O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou ontem o secretário interino da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, como titular do cargo, em substituição a Lina Vieira, demitida há um mês. Num mesmo movimento, a decisão cede à forte pressão do grupo político da ex-secretária, que ameaçou debandar em massa se um nome que lhe desagradasse fosse indicado, e mantém o poder do secretário-executivo do ministério, Nelson Machado, sobre o órgão. Na prática, Machado já mandava na Receita e vai continuar dando as cartas agora. Enquanto isso, Lina promete continuar fazendo barulho contra a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Paraibano, Cartaxo é auditor fiscal há mais de 30 anos. Amigo de Lina Vieira, decidiu colaborar com sua administração, depois de ter ocupado posições importantes na gestão de Everardo Maciel, com quem se dá muito bem, e de Jorge Rachid. Foi delegado da Receita em Natal (RN), como Lina, inspetor do Porto de Recife e superintendente da 4ª Região Fiscal (Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte). Segundo um fiscal próximo a ele, o novo secretário é uma pessoa calma, de personalidade afável e bem-humorada. Tem certa dificuldade de falar em público e detesta ter de lidar com computadores.

Tendo feito seu sucessor, Lina Vieira espera ansiosamente o momento de depor na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, na terça-feira, quando pretende reafirmar as acusações contra Dilma. Segundo interlocutores, ela assegura que pode comprovar o encontro no Palácio do Planalto em que a ministra teria pressionado pelo fim da fiscalização sobre os negócios da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). “Ela está convicta do que vem dizendo e não tem nada a esconder”, disse um amigo próximo. Para o círculo mais íntimo, Lina também tem expressado indignação por ter levado a culpa pela politização da Receita, com os principais cargos sendo distribuídos a sindicalistas estritamente ligados ao Partido dos Trabalhadores.

Na sua versão, o responsável pelas nomeações que jogaram a administração tributária no colo dos petistas foi Nelson Machado, fundador do PT. “Lina não indicou ninguém. Quem montou a equipe foi o Machado.” A demissão da secretária, há um mês, abriu uma guerra fratricida por poder dentro do órgão e jogou seus principais setores na paralisia total. Segundo um experiente fiscal, que se surpreendeu com a confirmação de Cartaxo, o ambiente está cada vez pior. “Estamos literalmente sem comando. Os ocupantes de postos mais altos estão preocupados em bolar estratégias para se manter em seus cargos. A casa está parada e prestes a cair”, disse. (Informações do Correio Braziliense)