As mudanças promovidas nos processos de trabalho da Receita Federal do Brasil (RFB) com a adoção de novas tecnologias pelo órgão foram discutidas em palestra ministrada na manhã desta segunda-feira, dia 29, pela Analista-Tributária membro da Equipe de Informações Estratégicas da Coordenação-Geral de Tecnologia e Segurança da Informação no Rio de Janeiro (Cotec/RFB), durante o VIII Encontro Regional dos ATRFB, em Niterói/RJ. O evento foi realizado das 9h às 18h, no Museu de Arte Contemporânea e contou com a presença de cerca de 40 servidores do cargo.

Segundo Leni Veiga, o uso de recursos tecnológicos de ponta já é uma realidade na Receita Federal e tem promovido mudanças profundas nos processos de trabalho da instituição. Veiga também informou aos participantes do encontro que o Tribunal de Contas da União (TCU) classificou a RFB, em 2019, como 1º lugar no ranking de Governança em Tecnologia da Informação (TI), que abrange todos os órgãos da Administração Pública. “Temos trabalhado com o que há de mais moderno em tecnologia e muitos processos de trabalho que temos hoje vão desaparecer rapidamente. Ainda não implementamos todos os recursos, mas estamos adiantados”, afirmou a representante da Cotec/RFB.

Durante a palestra, a integrante da Equipe de Informações Estratégicas também detalhou a estrutura da Gestão de Analytics da Cotec no Rio de Janeiro, composta por Centros de Informação, Área Usuária e Análise de Negócios; tratou da tecnologia de Datawarehouse (DW) utilizada pelo Fisco; esclareceu como a ferramenta MicroStrategy trata dados armazenados no DW; e elencou os principais desafios enfrentados pela RFB em relação a essas tecnologias. “Essa estrutura estava ficando aquém do que a Receita Federal precisa para trabalhar. Precisávamos disponibilizar aos servidores do Fisco uma gama muito maior de ferramentas, além de termos mais rapidez, fazermos análises avançadas, processos automatizados, suporte e decisão e aprendizado de máquina”, disse.

A solução para esses desafios foi viabilizada, segundo Veiga, com a criação do Plano de Reestruturação do Ambiente Analítico da RFB. A iniciativa está dividida em duas etapas, sendo a primeira a reestruturação da infraestrutura do DW e a segunda a migração de dados, divididos em grupos, para o Receita Data. Leni Veiga detalhou ainda como será estruturado o ContÁgil, após a implementação completa do plano.

Inovação e trabalho

Ainda durante sua explanação, a ATRFB informou que a Receita Federal também tem investido em sistemas de aprendizado de máquina, como o SISAM, específico para a área aduaneira, e estuda a implementação futura do sistema de computação cognitiva Watson, desenvolvido pela empresa estadunidense International Business Machines (IBM). “Nós já estamos trabalhando com aprendizado de máquina e computação cognitiva. Colocamos o Watson no e-Processos e ele foi capaz de pegar os processos e liberá-los, em segundos, para assinatura. Muitos processos não precisarão ir para o julgador, pois o Watson faz esse trabalho. Mas este sistema tem um custo e foi realizada uma proposta comercial, que está em estudo”, esclareceu.

Ao final da palestra, a integrante da Cotec exibiu vídeo intitulado “A 4ª Revolução Industrial”, que apresenta dados sobre como as novas tecnologias mudarão o mundo nas próximas décadas, sobretudo nas áreas de emprego, mobilidade urbana, saúde, relações sociais e meio ambiente. Os servidores da Receita Federal, conforme defendeu a Analista-Tributária, devem estar preparados para lidar com este cenário de transformações, que tem ocorrido de forma cada vez mais acelerada. “Nosso trabalho vai mudar muito. Com um número reduzido de pessoas, seremos capazes de executar mais atividades. Todos nós precisamos estar antenados, pois essas mudanças ocorrerão muito rápido e vão mudar a profundamente a nossa realidade”, concluiu.