As inovações promovidas na Receita Federal do Brasil (RFB) a partir da adoção de novas tecnologias e o processo de criação da futura 3ª Região Fiscal (RF) foram temas de palestra ministrada pelo superintendente da 7ª RF, Mário José Dehon, na manhã desta segunda-feira, dia 29, durante o VIII Encontro Regional dos Analistas-Tributários. O evento ocorreu das 9h às 18h, no Museu de Arte Contemporânea, em Niterói/RJ. Após a explanação, os participantes do encontro debateram amplamente os temas tratados.

O superintendente da 7ª RF iniciou a palestra ressaltando a importância dos Encontros Regionais promovidos pelo Sindireceita e parabenizou o Sindicato e os Analistas-Tributários pelo engajamento na luta em defesa do fortalecimento do cargo. “Gostaria de registrar o apreço que tenho pelo Sindireceita e sua Diretoria. Considero a categoria de vocês um case de sucesso para o serviço público. Diversas vezes, nestes tempos de maior crise em que todas as categorias estão se movimentando mais, eu disse “mirem-se no exemplo do Sindireceita”. Nesses 23 anos que tenho de Receita Federal, os Analistas-Tributários se firmaram como carreira, se valorizaram, se qualificaram, conquistaram seu espaço e tudo isso foi fundamental”, declarou.

A otimização do trabalho dos servidores da RFB ocorrida com a adoção de novas tecnologias pelo órgão foi o primeiro tema discutido por Dehon. Segundo ele, recursos como a Inteligência Artificial já são uma realidade na instituição e serão cada vez mais utilizados nos processos de trabalho do Fisco, promovendo melhor utilização da mão de obra dos integrantes do órgão. Neste contexto de mudanças, prosseguiu o superintendente, todos devem estar preparados para lidar com as novas tecnologias adotadas.  “A Inteligência Artificial vai tomar conta da nossa instituição e será usada em cada vez mais processos. Precisamos preparar as pessoas para isso e levá-las a usar o máximo do seu intelecto, para que elas possam entregar o melhor delas à nossa instituição”, defendeu.

Reestruturação da RFB

O processo em curso de reestruturação da Receita Federal também foi abordado pelo superintendente da 7ª RF. A iniciativa tem como bases principais a regionalização dos processos de trabalho, com a especialização de unidades e servidores para a execução de atividades específicas; a redução de estruturas hierárquicas; e a revisão de unidades físicas. “A cada ano, a nossa casa está diminuindo em número de servidores e as nossas demandas estão aumentando. As pessoas estão cada vez mais conscientes dos seus direitos e nessa era da tecnologia que estamos vivendo, todos estão acostumados a terem respostas na palma das mãos, de forma imediata. A sociedade espera o máximo de nós e da Receita Federal”, avaliou.

Para Mário José Dehon, a especialização dos servidores do Fisco terá papel importante neste contexto de mudanças internas no órgão, promovendo racionalização, segurança e maior valorização dos quadros funcionais e da própria RFB. O superintendente também defendeu que os Analistas-Tributários ocupem cargos de chefia em equipes e divisões do órgão. “Precisamos buscar a especialização e pensar coletivamente soluções inovadoras vinculadas aos processos do Fisco. A minha ideia é sempre colocar o Analista-Tributário executando a função de chefia, onde ele dominar o trabalho. Isso é o básico. O mesmo vale para os Auditores Fiscais. Vocês precisam estar preparados para assumir as chefias, estar dispostos a aceitar o convite para assumir esses postos”, ressaltou o representante da 7ª RF.

Ainda no âmbito da reestruturação da Receita Federal, Dehon detalhou aos participantes do VIII Encontro Regional como foi estruturado o processo de criação da futura 3ª Região Fiscal, que abrangerá os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. De acordo com o superintendente, a 3ª RF foi estruturada em três pilares principais: pessoas, tecnologia e processos. A 3ª RF contará com uma superintendência; 24 unidades (delegacias, alfândegas e inspetorias); 10 delegacias especializadas e 3 delegacias estaduais, localizadas no Rio de Janeiro/RJ, Vitória/ES e Belo Horizonte/MG.

Após a explanação, o presidente do Sindireceita, Geraldo Seixas, comentou o papel do Sindicato neste cenário de transformações em curso na RFB. De acordo com Seixas, o Sindireceita tem buscado uma aproximação cada vez maior com a Administração do Fisco e agregado Analistas-Tributários com amplo conhecimento técnico à Diretoria Executiva Nacional (DEN) e aos grupos de estudo do Sindicato. “Precisávamos trazer para dentro do nosso Sindicato também aquelas pessoas que eram expoentes, do ponto de vista do trabalho técnico, na Receita. Além disso, se não tivéssemos diálogo com a Administração, não teríamos conseguido vencer as barreiras que superamos até o momento. A categoria tem entendido esse recado. Precisamos fortalecer cada vez mais esse espaço de diálogo, que é fundamentado em nossas demandas e discurso. Também é crucial conscientizar a categoria sobre a importância da participação nas ações desenvolvidas pelo Sindireceita em defesa dos Analistas-Tributários, especialmente nesse momento atual de crise no Brasil e de divisão entre os servidores públicos”, avaliou Geraldo Seixas.