Governo não apresenta contraproposta e sindicalistas cobram evoluções

Governo não apresenta contraproposta e sindicalistas cobram evoluções

Sem propostas objetivas no processo moroso da Campanha Salarial 2012, representantes sindicais das entidades nacionais cobram celeridade e um posicionamento concreto do Governo, mas o secretário Sérgio Mendonça se limita a dizer que "palavra de ordem é cautela"


 


Com objetivo de buscar sinalizações ou uma contraproposta por parte do Governo em relação a pauta da Campanha Salarial de 2012, os representantes das 31 entidades nacionais, que lutam em defesa dos servidores públicos, se reuniram nessa última sexta-feira, dia 1º de junho, com o secretário de Relações de Trabalho do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Sérgio Mendonça.



Na ocasião, Mendonça além de afirmar que o Governo não tem uma proposta objetiva e concreta, disse que o quadro internacional mudou e afetará o rumo das conversas. “Não conseguimos antecipar o processo de tomada de decisão dentro do Governo com relação ao prazo de 31 de julho, mas estamos avançando no debate interno e avaliando a possibilidade de incrementar os benefícios ainda em 2012. Tivemos uma oscilação econômica e que de fato agora esta recrudescendo. Isso complica nossas discussões porque existem efeitos macroeconômicos que podem dificultar as relações de despesa de pessoal. Não estou dizendo que as portas estão fechadas, apenas que essa não é uma boa noticia para nós porque poderá afetar as nossas possibilidades. Por isso a palavra de ordem agora é cautela”, explicou o representante do Governo.


Sobre a pauta de reivindicação da Campanha Salarial de 2012, nos itens referentes a reajuste linear e correção das distorções, o secretário informou também que não tem condições de apresentar uma resposta. “Olhamos a pauta, mas de qualquer forma os impactos orçamentários ainda são bem significativos e isso ainda não foi amadurecido para uma tomada de decisão dentro do Governo. Tudo é simulado e colocado no conjunto de despesas que vai afetar os próximos anos da Administração Pública Federal “, disse Mendonça.


Segundo o representante do Governo, tudo indica que a crise deste ano na Europa será ainda mais forte do que 2008, com sérios riscos para o Brasil. “Em um mês houve uma deterioração muito pesada do quadro internacional e isso exige muita cautela. A crise internacional irá atingir os países emergentes e, infelizmente, o Brasil não ficará imune a tudo isso. É claro que o Governo Federal está tomando todas as medidas na área econômica, mas o crescimento está muito baixo e por isso esse fator tem que ser considerado até nas nossas negociações”, explicou o secretário


A morosidade do Governo em apontar soluções para reestruturar as diversas carreiras do setor público é evidente. Adiada duas vezes, a reunião não deixou os representantes dos servidores públicos satisfeitos. Porém, o secretário disse que não está dada a política que será adotada, tampouco as medidas que serão tomadas em relação ao funcionalismo. Já as Entidades, impacientes com os inúmeros discursos de austeridade por parte do Governo, solicitaram que o secretário só marque uma próxima reunião com as entidades do Fórum quando, verdadeiramente, tiver uma resposta à pauta da Campanha Salarial de 2012.