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Aposentados e pensionistas

A Defesa Inadiável do Auxílio-Nutrição para Aposentados

Uma Questão de Justiça e Dignidade

19 de fevereiro de 2026 às 13:41
Atualizado: 19 de fevereiro de 2026 às 15:41

Os servidores públicos aposentados representam um pilar fundamental na construção e manutenção do serviço público brasileiro. Após décadas de dedicação e contribuição para o desenvolvimento do país, esses profissionais enfrentam, muitas vezes, uma realidade de desafios financeiros que comprometem sua qualidade de vida. A transição para a inatividade, embora seja um direito conquistado, frequentemente vem acompanhada de uma drástica redução remuneratória, agravada pela persistência da contribuição previdenciária, uma situação que impacta diretamente seu poder de compra e bem-estar. Nesse contexto, a defesa do auxílio-nutrição para essa parcela da categoria emerge não apenas como uma reivindicação legítima, mas como uma imperativa questão de justiça, dignidade e respeito.


A Realidade da Perda Remuneratória e a Vulnerabilidade na Aposentadoria

A aposentadoria, para muitos servidores, significa uma significativa diminuição da renda familiar. Essa perda é ainda mais acentuada pela manutenção do desconto da contribuição previdenciária, que, no caso dos inativos do serviço público, continua a incidir sobre seus proventos. Tal cenário gera uma distorção, pois a necessidade básica de alimentação, inerente a todo ser humano, não cessa com a inatividade. Pelo contrário, em muitos casos, ela se intensifica devido a necessidades dietéticas específicas ou ao aumento de gastos com saúde.


O Aumento dos Gastos com Saúde e a Necessidade de Suporte

É inegável que, com o avanço da idade, os aposentados tornam-se mais suscetíveis a problemas de saúde, o que acarreta um aumento substancial nos custos com medicamentos, consultas e tratamentos. A privação de um auxílio essencial como o auxílio-nutrição, em um momento da vida em que os gastos se elevam e a renda diminui, contribui para a precarização das condições socioeconômicas desses indivíduos, colocando em risco sua saúde e dignidade. Garantir o acesso a uma alimentação adequada é, portanto, uma medida que visa mitigar essa vulnerabilidade e assegurar um envelhecimento saudável e digno.


Fundamentação Legal e Constitucional para o Auxílio-Nutrição

A Constituição Federal de 1988 estabelece, em seu Art. 1º, inciso III, o princípio da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. Esse princípio assegura a cada indivíduo o direito a condições mínimas de existência digna, das quais a alimentação é um pilar inquestionável. Além disso, o Art. 6º da Carta Magna eleva a alimentação à categoria de direito social, reforçando o dever do Estado em garanti-lo. A Lei nº 11.346/2006, que cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), e o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), em seu Art. 9º, que preconiza a proteção à vida e à saúde da pessoa idosa, são marcos legais que corroboram a necessidade de políticas públicas que assegurem o direito à alimentação adequada para todos, incluindo os aposentados.

Embora o auxílio-alimentação seja frequentemente classificado como verba de caráter indenizatório, paga em razão do efetivo exercício do cargo, é fundamental uma reinterpretação que considere a realidade dos inativos. A jurisprudência, em alguns casos, tem se mostrado restritiva , mas a evolução social e a compreensão dos direitos fundamentais exigem uma análise mais aprofundada que contemple a equidade e a justiça para aqueles que já contribuíram significativamente para o Estado.


O Papel do Sindireceita na Luta pela Valorização

O Sindireceita, ciente da importância de seus aposentados, tem atuado incansavelmente na defesa de seus direitos. A entidade acompanha de perto e se engaja em iniciativas legislativas, como a Sugestão Legislativa (SUG) 11/2025, que busca a manutenção do auxílio-alimentação para servidores inativos, e as PEC 555/2006 e PEC 06/2024 (PEC Social), que propõem o fim da cobrança de contribuição previdenciária sobre os proventos dos aposentados. Essas ações demonstram o compromisso do Sindireceita em assegurar que a legislação reflita os princípios de justiça e dignidade para todos os seus filiados, independentemente de sua situação funcional.

Opine na Consulta Pública sobre a manutenção do Auxílio Almentação para os servidores públicos aposentados, no site do Senado Federal, AQUI

A concessão do auxílio-nutrição para aposentados é mais do que um benefício; é um reconhecimento da dívida social e moral que o Estado tem para com aqueles que dedicaram suas vidas ao serviço público. É um ato de justiça que visa garantir condições mínimas de subsistência e dignidade na fase mais vulnerável da vida. O Sindireceita reafirma seu compromisso com essa causa, conclamando a todos a se unirem nessa luta por um futuro mais justo e digno para nossos valorosos aposentados.


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