Atlas da Violência 2025 – Violência contra as Mulheres
A estagnação das taxas de homicídios femininos e o aumento da letalidade contra mulheres negras sugerem a insuficiência das estratégias atuais de enfrentamento
Apresentamos nesta nota um resumo dos principais dados e indicadores sobre a violência praticada contra mulheres no Brasil, extraídos do Atlas da Violência 2025, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
1. Homicídios de Mulheres
Em 2023, o Brasil registrou 3.903 homicídios femininos, o que equivale a uma taxa de 3,5 mulheres por grupo de 100 mil habitantes do sexo feminino. Embora tenha havido uma redução de 25,5% na taxa entre 2013 e 2023, os dados mais recentes indicam uma estagnação preocupante: entre 2022 e 2023, a taxa de homicídios femininos permaneceu inalterada, enquanto a taxa geral de homicídios no país recuou 2,3%.
1.1. Desigualdades Regionais
As taxas de homicídios femininos variam significativamente entre as Unidades da Federação:
Maiores Taxas (2023): Roraima (10,4), Amazonas (5,9), Rondônia (5,9) e Bahia (5,9).
Menores Taxas (2023): São Paulo (1,6), Minas Gerais (2,6) e Distrito Federal (2,7).
1.2. Recorte Étnico-Racial
A violência letal atinge de forma desproporcional as mulheres negras:
Em 2023, 2.662 mulheres negras foram vítimas de homicídio, representando 68,2% do total de homicídios femininos.
A taxa de homicídios de mulheres negras é de 4,3 por 100 mil, enquanto a de mulheres não negras é de 2,5 por 100 mil.
Enquanto a taxa para mulheres não negras caiu 2,0% entre 2022 e 2023, a taxa para mulheres negras aumentou 2,4% no mesmo período.
2. Registros de Agressões Não Letais
Os dados do Sistema de Notificação de Agravos (Sinan) revelam um cenário alarmante de violência cotidiana. Em 2023, foram realizados 275.275 registros de violência contra mulheres, um crescimento de 24,4% em relação a 2022.
2.1. Tipos de Violência (2023)
Tipo de Violência | Percentual dos Registros |
Física | 37,4% |
Múltipla (mais de uma forma) | 30,3% |
Negligência | 12,0% |
Psicológica | 10,1% |
Sexual | 9,5% |
2.2. Local da Ocorrência e Perfil do Agressor
Residência: 81,3% das agressões ocorrem dentro de casa.
Violência Doméstica: 64,3% dos registros (177.086 casos) enquadram-se como violência doméstica e intrafamiliar.
Vulnerabilidade: 58,5% das vítimas de agressões registradas no sistema de saúde são negras.
3. Conclusões e Alertas
O Atlas da Violência 2025 destaca que a violência contra a mulher no Brasil é um fenômeno estrutural e persistente. A estagnação das taxas de homicídios femininos e o aumento da letalidade contra mulheres negras sugerem a insuficiência das estratégias atuais de enfrentamento.
A predominância da residência como local de agressão reforça a necessidade de fortalecer as redes de proteção e acelerar o cumprimento de medidas protetivas, conforme proposto no Pacto Brasil contra o Feminicídio.
Fonte: IPEA; FBSP. Atlas da Violência 2025. Brasília: Ipea, 2025. Disponível em: Veja mais informações
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