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Sindireceita participou do 20º Encontro Nacional de Aposentados e Pensionistas e reforça luta pelo fim do confisco

O encontro reuniu mais de 400 pessoas, mobilizou parlamentares de diferentes partidos e levou aposentados (as) em marcha ao Palácio do Planalto e ao STF

13 de agosto de 2026 às 11:31

O Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita) participou, na quarta-feira (12), do 20º Encontro Nacional de Aposentados e Pensionistas do Serviço Público, promovido pelo Instituto Mosap (Movimento Nacional dos Servidores Públicos Aposentados e Pensionistas na Câmara dos Deputados, em Brasília. 

A vigésima edição do evento entrou para a história como uma das maiores mobilizações já realizadas no Congresso Nacional, reunindo mais de 400 pessoas e representantes de cerca de 80 entidades de diferentes regiões do país.

O presidente do Sindireceita, Thales Freitas, participou do evento representando a entidade e criticou, durante seu discurso, a manutenção da contribuição previdenciária que incide sobre os proventos de aposentadoria. Para ele, a cobrança, adotada há mais de duas décadas sob a justificativa de ajudar a equilibrar a Previdência, não cumpriu o que prometia. 

“O déficit do sistema continua lá. Os aposentados não devem e não podem mais arcar com desequilíbrios decorrentes da gestão dos recursos previdenciários. Essa  discussão precisa avançar no Congresso Nacional”, afirmou.

Veja o discurso completo abaixo:

Ao final do seu discurso, o presidente ressaltou que 2026 é ano eleitoral e defendeu a participação política consciente dos servidores públicos, mencionando a importância de acompanhar o posicionamento dos parlamentares em relação às pautas da categoria. 

Além do presidente, representaram o Sindireceita Marlene de Fátima Cambraia, Diretora de Aposentados e Pensionistas, que também é delegada adjunta da Delegacia Sindical de Brasília; Ieda Maria de Miranda, diretora do Sindireceita e delegada sindical de Brasília; Sérgio Castro, diretor do Sindireceita; e Gerônimo Luiz Sartori, Diretor de Assuntos Aduaneiros. Também participaram do encontro filiados(as) e demais secretários da Delegacia Sindical de Brasília.

Presença Parlamentar

A dimensão política do encontro ficou evidente pela expressiva presença de parlamentares de diferentes partidos e correntes ideológicas. Ao longo da programação, deputados e senadores se alternaram no Auditório Nereu Ramos, evidenciando que a pauta deixou de ser uma reivindicação setorial para se consolidar como uma demanda de grande relevância nacional. 

Estiveram presentes os deputados federais:

  • Maria do Rosário (PT-RS), 

  • Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR), 

  • Luciene Cavalcante (PSOL-SP), 

  • Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), 

  • Erika Kokay (PT-DF), 

  • Glauber Braga (PSOL-RJ), 

  • Paulo Soares (Podemos-SP), 

  • Tadeu Veneri (PT-PR), 

  • Jonas Donizette (PSB-SP), 

  • Fernanda Melchionna (PSOL-RS) 

  • E Dr. Luiz Ovando (PP-MS).

  • Além do senador Izalci Lucas (PL-DF),

  • do vereador de São Paulo Celso Giannazi (PSOL), que reforçaram o apoio à causa.

Carta ao Hugo Motta

O encontro culminou ainda na elaboração de uma carta dirigida ao presidente da Câmara dos Deputados e ao Colégio de Líderes. A carta, assinada por 110 entidades representativas de servidores públicos, exige o apensamento das PECs e também carrega um gesto político relevante: diante do calendário eleitoral, as entidades signatárias se comprometeram a não pressionar pela votação do mérito da PEC 6/2024 até o fim do período eleitoral de 2026, desde que o apensamento seja deferido. 

Na prática, o movimento abre mão de acelerar a tramitação da proposta em troca da garantia de que as duas PECs caminhem juntas no Congresso. Veja a carta na íntegra.

Marcha 

Ao final da programação, a mobilização deixou o Auditório Nereu Ramos e ganhou as ruas de Brasília. Acompanhados por dirigentes e representantes das entidades, aposentados, pensionistas e servidores públicos realizaram uma caminhada até o Supremo Tribunal Federal (STF) e, em seguida, ao Palácio do Planalto, para cobrar o apensamento das PECs. 

O ato demonstrou que a mobilização não se limita aos discursos: aposentados e pensionistas estão organizados, unidos e dispostos a ocupar os espaços democráticos para cobrar do Poder Público uma resposta à sua principal reivindicação. Chega de confisco!

Reunião no Planalto

A Marcha surtiu resultados. No Palácio do Planalto, o presidente do Sindireceita e representantes de outras entidades participaram de reunião com Cândido Hilário de Araújo, coordenador-geral de Informações da Secretaria Nacional de Relações Políticas-Sociais da Secretaria-Geral da Presidência da República, e com José Silvestre Prado, diretor da Secretaria de Diálogo Social da Secretaria da Presidência. 

Na ocasião, os representantes do governo compreenderam a importância do apensamento e assumiram o compromisso de realizar a conversa técnica com a  Casa Civil, a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) e a própria Secretaria-Geral da Presidência da República para, na sequência, e o quanto antes, promover reunião com o presidente da Câmara dos Deputados a fim de viabilizar o imediato apensamento, segundo os secretários. 


Uma cobrança que atravessa gerações

Por trás das PECs, dos requerimentos e das articulações que ecoam nos corredores do Congresso, há uma história que se repete todos os meses, pontual como um débito. Homens e mulheres que passaram décadas de suas vidas contribuindo para o regime previdenciário, que viram o tempo escorrer entre plantões e aposentadorias sonhadas, descobrem que a aposentadoria não encerra a conta: uma parcela dos proventos continua sendo devolvida à Previdência, mês após mês.

Para quem vive essa rotina na própria pele, o debate não cabe em planilhas nem em discursos. Ele mora na mesa da cozinha, no orçamento apertado do fim do mês, na receita que encolhe justamente quando a saúde exige mais, quando o corpo cobra o preço dos anos de trabalho. 

É sobre a renda que sustenta a família, sobre o envelhecimento que chega sem aviso, sobre a dignidade de quem dedicou uma vida inteira ao Estado brasileiro e espera, no fim da jornada, apenas o respeito por essa entrega. Chega de confisco!

Chega de esperar. É hora de apensar as PECs e permitir que o Congresso Nacional enfrente definitivamente a contribuição previdenciária dos servidores públicos aposentados e pensionistas.


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