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A República das Urnas e o Dever do Estado

Por Thales Freitas Alves, Presidente do Sindireceita

26 de outubro de 2026 às 11:18
Atualizado: 26 de outubro de 2026 às 12:43

O resultado das eleições presidenciais representa mais do que a vitória de um projeto político sobre outro. É a expressão da vontade popular e um chamado à responsabilidade de todos aqueles que têm compromisso com a democracia, os direitos sociais e o futuro do país.

A vitória de Lula assegura legitimidade para a continuidade de seu governo, enquanto a expressiva votação de Flávio Bolsonaro revela que uma parcela significativa da sociedade brasileira deseja outros caminhos. Ambas as realidades precisam ser compreendidas com respeito e maturidade. A democracia exige respeito às urnas, às instituições e às regras do processo eleitoral, sem impedir questionamentos legítimos, desde que fundamentados e conduzidos pelos meios legais.

Ao presidente Lula, cabe agora transformar a confiança recebida em resultados concretos. O país precisa avançar na geração de empregos, na redução das desigualdades, na valorização do trabalho e na melhoria dos serviços públicos. Não basta defender justiça social no discurso: é preciso traduzi-la em políticas efetivas, com oportunidades, direitos e dignidade para a população.

Como presidente do Sindireceita, reafirmo que não existe Estado forte sem servidores valorizados, nem serviço público de qualidade sem investimento, respeito profissional e condições dignas de trabalho. A defesa dos servidores não é uma pauta corporativa isolada, mas uma defesa da própria sociedade, que depende de instituições capazes de garantir direitos e atender às suas necessidades.

Na Receita Federal, fortalecer a administração tributária significa combater a sonegação, enfrentar as desigualdades tributárias e assegurar os recursos necessários ao financiamento das políticas públicas. Por isso, valorização profissional, reconhecimento das atribuições, condições adequadas de trabalho e fortalecimento institucional devem estar no centro da agenda governamental. Não aceitaremos que a eficiência do Estado seja usada como justificativa para desvalorizar seus profissionais, assim como não nos furtaremos ao debate sobre modernização, responsabilidade e melhoria dos serviços prestados à população.

Nossa posição será de diálogo, mas nunca de subordinação política. O movimento sindical precisa ter independência para reconhecer avanços, apresentar propostas e também se opor firmemente a medidas que prejudiquem os trabalhadores ou enfraqueçam o serviço público. Não somos aliados automáticos de governos, nem adversários por princípio: somos defensores dos trabalhadores e do interesse público.

A oposição, por sua vez, tem o direito e o dever de fiscalizar, criticar e apresentar alternativas, respeitando a legitimidade das instituições democráticas. O país não precisa aprofundar divisões, mas tampouco deve confundir pacificação com silêncio diante de injustiças ou de decisões equivocadas.

O desafio que se apresenta é construir um Brasil que concilie responsabilidade econômica com justiça social, eficiência administrativa com valorização profissional e desenvolvimento com distribuição de oportunidades. Para isso, será indispensável ouvir os trabalhadores, fortalecer o diálogo social e reconhecer que nenhuma transformação consistente se faz sem a participação de quem sustenta diariamente o funcionamento do Estado.

Seguiremos atuando com firmeza, autonomia e responsabilidade, defendendo os Analistas-Tributários, o serviço público e uma administração tributária cada vez mais forte e comprometida com o país.

A eleição termina com a apuração dos votos, mas a luta por direitos, valorização do trabalho e justiça social continua todos os dias. É com essa convicção que seguiremos cumprindo nossa missão sindical: dialogando quando houver espaço, cobrando quando necessário e resistindo sempre que direitos e conquistas estiverem ameaçados.

Thales Freitas Alves
Presidente do Sindireceita.


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