Agosto Lilás - Enfrentamento à violência contra a Mulher
Sindireceita apoia a campanha e destaca o que tramita no Congresso Nacional para proteger as mulheres.
O mês de agosto é dedicado, em todo o Brasil, à campanha Agosto Lilás, movimento nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. Instituída pela Lei nº 14.448/2022, a campanha ganhou ainda mais relevância em 2026, ano em que a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completa 20 anos de vigência. O Sindireceita, atento à defesa dos direitos das mulheres, apoia a iniciativa e apresenta um levantamento dos projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional que tratam do enfrentamento à violência contra a mulher.
A Origem da Campanha
O Agosto Lilás foi criado em alusão à sanção da Lei Maria da Penha, ocorrida em 7 de agosto de 2006. A lei, considerada um dos mais importantes marcos legais de proteção aos direitos das mulheres no Brasil, é resultado da luta da farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, vítima de dupla tentativa de feminicídio pelo então marido, que a deixou paraplégica. Após anos de busca por justiça, o caso foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o que pressionou o Estado brasileiro a criar uma legislação específica de proteção à mulher. Em 2022, a Lei nº 14.448 instituiu oficialmente o mês de agosto como o período dedicado à conscientização pelo fim da violência contra a mulher, consolidando a campanha em âmbito nacional.
Os Objetivos da Campanha
O Agosto Lilás nasceu com o objetivo de alertar a população sobre a importância da prevenção e do enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. A campanha busca:
Ampliar o debate público sobre as múltiplas formas de agressão que as mulheres enfrentam (física, psicológica, sexual, patrimonial e moral);
Promover ações de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas;
Ressaltar a importância da legislação e das políticas públicas de enfrentamento;
Encorajar denúncias, lembrando os canais de atendimento, como o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o Disque 100;
Mobilizar a sociedade e as instituições na construção de uma rede de proteção efetiva.
Em 2026, a campanha ganha contornos especiais ao celebrar as duas décadas da Lei Maria da Penha, que estabeleceu medidas protetivas de urgência, criou juizados de violência doméstica e tipificou a violência doméstica e familiar contra a mulher como violação dos direitos humanos.
Levantamento Legislativo
Em tramitação na Câmara dos Deputados
Projeto | Tema |
Cria o Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres, articulando União, Estados e Municípios e destinando recursos para ações de enfrentamento ao feminicídio. Aprovado pela Câmara em 07/07/2026, segue para o Senado. | |
Assegura prioridade absoluta no atendimento pelo SUS às mulheres vítimas de violência. | |
Tipifica o crime de misoginia digital, punindo a divulgação de conteúdo que estimule hostilidade ou violência contra a mulher. | |
Altera a Lei Maria da Penha para incluir a capacitação e o treinamento de agentes públicos entre as diretrizes da política de prevenção. | |
Determina o monitoramento eletrônico de agressores em casos de violência doméstica. | |
Impede a aplicação do princípio da insignificância a crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher. | |
Aperfeiçoa a prevenção e a repressão à violência política contra a mulher. | |
Aperfeiçoa a disciplina da alienação parental, protegendo mulheres e crianças. |
Em tramitação no Senado Federal
Projeto | Tema |
PL 1025/2026 | Institui a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, integrando e fortalecendo os serviços públicos de proteção. Autor: Senador Paulo Paim (PT/RS). |
Aumenta de 40 para 50 anos a pena máxima do feminicídio, cria o tipo penal de instigação por terceiro em contexto de violência doméstica, prevê novas hipóteses de medidas protetivas e cria o Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Violência Doméstica e Feminicídio (Lei "Raphaella Brilhante"). Autor: Senador Efraim Filho (UNIÃO/PB). | |
Prevê o uso de inteligência artificial na proteção de vítimas, com aplicativo de botão de emergência para acionar a polícia. Aprovado pelo Senado, segue para a Câmara. | |
Estabelece penas mais rigorosas para crimes de violência digital, reconhecendo o impacto psicológico e social dessas agressões. | |
Institui o Auxílio Recomeço, benefício financeiro emergencial para mulheres em situação de vulnerabilidade que precisam romper o ciclo de violência. | |
Exige estratégias específicas de proteção para mulheres negras, indígenas e com deficiência nas políticas de enfrentamento à violência. | |
Assegura matrícula prioritária de dependentes em escolas próximas à residência da mulher que mudou de domicílio devido à violência. | |
Garante prioridade no acesso gratuito a cirurgias reparadoras para pacientes com sequelas causadas por violência contra a mulher. |
Matéria bicameral
Projeto | Tema |
Institui a Política Nacional de Combate ao Discurso de Ódio contra a Mulher na Internet (Lei Ivone e Tainara contra a Violência de Gênero no Ambiente Digital), obrigando plataformas a implementar mecanismos de prevenção e combate. |
Avanços Recentes
Além dos projetos em tramitação, o Congresso aprovou recentemente importantes iniciativas, como o PLP 41/2026, que cria o Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres, com destinação de recursos — estimados em R$ 1,5 bilhão anuais por dez anos — para estados e municípios efetivarem medidas de proteção. A proposta, relatada pela deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ) — que há 20 anos relatou a Lei Maria da Penha —, agora aguarda deliberação no Senado Federal. Também foi sancionada a Lei 15.398/2026, que institui o Programa "Antes que aconteça", voltado à prevenção da violência doméstica.
Gesto simples pode salvar vidas: conheça os sinais de pedido de ajuda para mulheres em situação de violência
O sinal silencioso de pedido de socorro, conhecido como #SignalForHelp, é uma linguagem internacional que permite à mulher em situação de violência pedir ajuda sem usar palavras; conhecer os gestos é um ato de cuidado e responsabilidade de toda a sociedade.
No Brasil, uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos já sofreu algum tipo de violência, e muitas delas não conseguem pedir socorro verbalmente — seja pela presença do agressor, pelo controle constante ou pelo medo. Para essas situações, existem sinais não verbais que permitem à mulher pedir ajuda de forma discreta e segura. O Sindireceita, em apoio ao Agosto Lilás, divulga os principais gestos e orienta a população sobre como reconhecê-los.
O sinal universal de pedido de ajuda (#SignalForHelp)
Criado em 2020 pela Canadian Women's Foundation, o sinal silencioso é um gesto simples feito com uma das mãos e se tornou uma linguagem internacional de pedido de socorro em casos de violência contra a mulher. Ele é feito em três etapas:
Levante a mão com a palma voltada para fora, apontando para a pessoa para quem está pedindo ajuda;
Dobre o polegar, encostando-o na palma da mão;
Feche os dedos sobre o polegar, como se estivesse fechando a mão.
O gesto simboliza o sentimento de estar presa ou confinada — exatamente a realidade de quem vive em um ciclo de violência doméstica.
Como reconhecer e o que fazer
Se você identificar alguém fazendo esse sinal — em uma videochamada, em uma foto, em uma loja, em um atendimento ou em qualquer ambiente —, significa que a pessoa está pedindo ajuda:
Não chame atenção para o gesto na frente do agressor;
Aproxime-se com naturalidade e ofereça ajuda discretamente;
Acione os canais oficiais: Ligue 190 (Polícia Militar, em emergências) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher), ou ainda o Disque 100.
Outros sinais de pedido de ajuda
Além do gesto da mão, existem outros códigos silenciosos utilizados por mulheres em situação de violência:
Código 180: em atendimentos presenciais (farmácias, bancos, estabelecimentos comerciais), a mulher pode pedir ao funcionário que "ligue para 180" — código reconhecido como pedido de socorro, com protocolo de acolhimento em redes de farmácias e outros estabelecimentos;
Piscar os faróis do carro ou usar sinais sonoros curtos em situações de perseguição ou perigo;
Palavras-código: combinar com pessoas de confiança palavras ou frases que indicam perigo, como "preciso falar com você sobre a receita" ou "estou com dor de cabeça", por mensagem ou ligação;
Botão de emergência em aplicativos: diversos aplicativos de segurança permitem acionar a polícia e enviar a localização com um único toque.
Sindireceita e a Defesa das Mulheres
O Sindireceita reafirma seu compromisso com a pauta feminina, acompanhando de perto a tramitação das proposições legislativas e atuando na defesa dos direitos das mulheres, tanto na perspectiva da categoria quanto na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A denúncia é o primeiro passo para romper o ciclo de violência. Em caso de qualquer forma de violência contra a mulher, procure ajuda pelos canais oficiais:
Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher);
Disque 100 ou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) mais próxima.
O trabalho do Sindireceita relacionado ao tema
O Sindireceita também vem desenvolvendo ações concretas voltadas à prevenção, conscientização, orientação e apoio institucional em temas ligados ao assédio, à discriminação, à violência de gênero e ao machismo no ambiente de trabalho. Entre essas iniciativas, merece destaque o lançamento, pela Diretoria de Assuntos Jurídicos (DAJ) em parceria com a Diretoria de Comunicação (DCO), de duas publicações de grande relevância: a Cartilha sobre remoção das servidoras vítimas de violência doméstica – Uma medida de urgência e a Cartilha sobre Assédio no Serviço Público.
Os materiais oferecem conteúdo informativo e orientações práticas sobre proteção às servidoras, combate ao assédio moral e sexual, prevenção de condutas abusivas e acesso à assistência jurídica. Além disso, o Sindicato lançou, durante a Semana da Mulher 2026, o Guia de Conscientização: Desconstruindo o Machismo no Cotidiano e no Trabalho, publicação que propõe reflexão sobre expressões e comportamentos naturalizados que perpetuam desigualdades, microagressões e ambientes hostis para as mulheres.
Sindireceita
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